terça-feira, 30 de março de 2010

Sem Rede de Proteção

Cléo De Páris

Sempre nas entrevistas tem essa pergunta: qual a diferença entre teatro, cinema e televisão?
A resposta pode ter mil explicações, são veículos diferentes, o teatro é onde o ator tem mais domínio, a troca com o público é incrível... Eu concordo com tudo isso e discorreria um tempão falando dessas diferenças, dos abismos que separam as linguagens. Mas nunca me fizeram essa pergunta. Porque, primeiro, não sou famosa, segundo, não faço tanto cinema e fiz pouca televisão.
Se me perguntassem, eu sei o que diria, eu diria assim: o teatro não tem rede de proteção.
É preciso amar o risco pra escolher ser um ator de teatro, um diretor de teatro, um figurinista, um cenógrafo, um contra-regra, um bilheteiro.
É preciso abandonar coisas, estar naquele lugar naquela hora que o jornal indica e não importa se 1.000 pessoas vão sair de suas casas pra ficar numa sala escura fechada esperando maravilhas de você ou se serão 5 pessoas. Não importa.
Importa que você vai sair de sua casa nesse dia, durante meses, nessa hora, com vontade ou sem, gripado, triste, preocupado, aflito, desiludido, você vai sair no meio de uma tempestade ou na noite mais linda da primavera, vai desligar a tv, apagar as luzes, pegar um ônibus, vai dizer oi pra seus companheiros, vai sentar na bancada, transformar seu rosto, vestir uma roupa que nunca estará no seu guarda-roupa, mas que fará parte da sua vida pra sempre, e vai fazer de um tudo pra maravilhar 1.000 pessoas ou 5 pessoas.
E você só tem aquela chance, nunca mais. O outro dia vai ser outro, serão outras as pessoas, será outra sua energia, pode quebrar o zíper do vestido, pode faltar luz, pode inundar a cidade, pode dar tudo mais certo, pode dar tudo mais errado, nunca se saberá, o momento é só agora, o teatro é só agora.
Meus amigos próximos não gostam muito de ir em estréias minhas. Eu sei como é, fica aquela vontade de que tudo dê certo, de que as pessoas gostem, de que o amigo mesmo goste e saiba o que falar. Mas tenho um amigo que não vai nunca a meus espetáculos! "Por quê?" eu quis saber. "Porque eu sinto medo por você", ele disse, "parece que vou te ver com a cabeça na boca do leão, vou ficar tenso demais."
Entendi, claro, e não cobro sua presença apesar de ser ele um amigo muito especial. Ele vê meus filmes, que já estão prontos há tempo, vê coisas que saem na mídia a meu respeito, provavelmente leia esse texto, mas na hora da peça, ele sabe que se eu escorregar do trapézio, não terei rede.
Ele sabe que alguém pode atender o celular, que um bêbado pode invadir o palco, que o salto do meu sapato pode quebrar (como já quebrou!) que a cortina do cenário pode cair (como já caiu!)... Ele sabe e eu sei que é um completo absurdo o que eu faço, que é estranho uma pessoa não ter fim de semana, Páscoa, Carnaval, trabalhar doente, ter medo de chorar na hora que não pode, ter medo de não chorar na hora que precisa, ter medo de branco, de soluço, de gaguejar. Mas ele também sabe e eu também sei que não seria feliz sem tantos sonhos e que eles, os sonhos, não precisam de rede de proteção.

Cléo De Páris é atriz da Cia. Os Satyros em São Paulo e escreve o blog:
http://pueril.zip.net

(Foto: Cena do filme "Asas do Desejo" de Win Wenders)

sábado, 27 de março de 2010

Associação Cultural promove "Cinema em Cena"

A Associação Cultural Quintal das Artes já tem, há mais de seis anos, o Projeto “Cinema em Cena” que consiste na exibição de filmes de arte e de peças teatrais para os alunos da Escola de Teatro.
Obras como “The Wall” de Alan Parker, “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick, “O Homem-Elefante” de David Lynch, “Romeu e Julieta” de Franco Zefirelli, musicais como “Cats”, “Hairspray”, “Grease”, “Evita”, “Moulin Rouge” e “O Fantasma da Ópera”, além das encenações próprias do grupo, já estiveram em cartaz.
Um clássico da animação stop-motion, da década de 60, também já foi exibido para curiosidade dos alunos: “A Festa do Monstro Maluco”, presença constante nas sessões da tarde nos anos 70 e 80.
Uma vez por mês os alunos e alunas, aprendizes das artes cênicas, são convidados a entrarem no mundo do cinema, através de projeção, em tela grande, de importantes marcos cinematográficos. É a Quintal das Artes promovendo, cada vez mais, a Cultura e a Cidadania.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vereadores de Tambaú discutem projeto de terceirização da área cultural

Na manhã de 12 de março, os vereadores receberam o presidente da Associação Cultural “Quintal das Artes”, Paulo Rogério Rocco, que falou sobre o projeto de terceirização da área cultural de Tambaú (foto). O projeto foi solicitado pela Prefeitura Municipal à Associação, que já tem sete anos de atividades no município e é reconhecida de Utilidade Pública.
Com uma diretoria competente e ligada à diversas manifestações culturais, a “Quintal das Artes” atualmente é a responsável pela Escola de Teatro, da qual já participaram centenas de crianças, adolescente e jovens e alcançou reconhecimento em todo o Estado de São Paulo.
Durante a reunião, foram abordados os principais itens da proposta. O presidente da associação discorreu sobre o plano de trabalho que compreende a gestão de unidades culturais, como a Biblioteca "Professor Sebas" e o Museu Histórico "Ernesto Ricciardi", além da realização de eventos como canto coral, banda, festival de música, show de Natal, espetáculo da Paixão de Cristo e exposições de arte, entre vários outros. “A terceirização da área cultural para associações e organizações não-governamentais, já é realidade em diversas cidades e também na esfera estadual, onde a Secretaria de Estado da Cultura terceirizou a administração de Oficinas Culturais, projetos como o Mapa Cultural e diversos outros segmentos da pasta”, destacou.
Após leitura em plenário durante sessão realizada na noite da ultima segunda-feira (15), o projeto seguiu para análise das Comissões de Justiça e Redação e de Finanças e Orçamento. Após emissão de pareceres quanto à juridicidade, constitucionalidade e viabilidade orçamentária e financeira, a matéria deverá ser colocada na pauta da próxima sessão, para votação.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Tambaú

sábado, 20 de março de 2010

Comunicado da Organização do Festival Cacilda Becker

Senhores inscritos no X Festival Nacional de Teatro Cacilda Becker, de Pirassununga.

No dia 15 de Novembro de 2009 a cidade de Pirassununga foi vítima de uma tempestade com ventos a 74 quilômetros por hora, seguido de um apagão de mais ou menos meia hora.
Na cidade aconteceu destelhamento de casas, queda de árvores, alagamentos e outros problemas mais.
No Teatro Cacilda Becker (foto), graças a Deus, apenas houve a queda de água em um dos cantos do palco devido ao acúmulo que ocasionou o entupimento das calhas.
No dia seguinte, baseado em fatos inverídicos, colocados no ar por um programa de rádio sensacionalista aqui existente, uma ONG (de Meio Ambiente) entrou com um processo de interdição do Teatro alegando que o mesmo encontrava-se em perigo de desmoronamento e solicitando uma indenização de um milhão de reais por, em seus pensamentos, termos colocado as pessoas que estavam no Teatro em perigo de vida.
O processo tramitou no Fórum local, enquanto que, baseados em vistoria de corpo de engenheiros da prefeitura e outros cuidados de segurança (luz de emergência trocadas, extintores recarregados, etc.), o Teatro continuou com suas atividades normais.
Foram realizadas as inscrições para o festival (27 inscrições representando os estados de Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo), encerradas no dia 26 de Fevereiro (Sexta-feira).
Qual não foi nossa surpresa na Segunda-feira (dia 1º de Março) com a notícia de que o Teatro Municipal havia sido interditado pelo desembargador Magalhães Coelho do egrégio TJ/SP, onde a ONG recorreu de seu processo.
Desta forma, não tendo opção para realizar o citado Festival em outro local (teríamos que licitar a infra-estrutura do Festival), a comissão organizadora houve por bem adiar o mesmo, até que estes transtornos judiciais sejam sanados.
Resolvidos os problemas, o festival volta a ter sua continuidade (pré-seleção dos inscritos e marcação de uma nova data da realização do mesmo).
Quaisquer novidades estaremos entrando em contato com os grupos inscritos para mantê-los informados.
Desculpem-nos pelos transtornos.

Abraços

Israel Foguel
Coordenador do Festival
Fone (19) 3562.5657