Um dos mais ativos grupos teatrais do
Estado literalmente fez Escola
No mês de maio de 1983 – há
exatos quarenta anos – em uma festa do Dia das Mães realizada na Escola Padre
Donizetti Tavares de Lima, em Tambaú - SP, um grupo de jovens se preparava para subir em um
palco pela primeira vez e encenar uma peça para um público que não era apenas
formado pelos colegas da sala de aula.
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O Espetáculo não pode Parar - 1984 |
Nascia desta forma um grupo de
teatro que iria escrever o mais importante capítulo na história cultural de
Tambaú e é considerado um dos mais ativos do Estado de São Paulo. Para criticar
a situação cultural da época passou a se chamar “Curtura”.
O nome causou polêmica.
Professores de Língua Portuguesa e várias outras pessoas atacaram a grafia
“acaipirada” da palavra e até hoje muita gente estranha o nome do Grupo, cuja
primeira montagem foi “É Tão Fácil Ser Feliz”. A peça, com autoria e direção de
Paulo Rogério Rocco, foi realizada para comemorar o Dia das Mães daquele ano.
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O Poeta e a Estátua - 1991 |
Daí seguiram-se 30 montagens
teatrais com o nome do Grupo nos cartazes, das quais participaram mais de 200 pessoas, entre atores, técnicos e
músicos. O elenco do Curtura sempre se transformou. Os textos também evoluíram
e os cenários se aprimoraram.
Em 1993, com uma iniciativa
pioneira e jamais igualada – a criação do Programa do Adolescente – a
Prefeitura Municipal de Tambaú através do Prefeito Edson Fernando Celestino, um
dos que mais incentivaram a cultura tambauense, convidou Paulo Rogério Rocco e
José Ei Costa, figurinista do grupo e então Secretário de Cultura, para criarem
a Escola Municipal de Teatro de Tambaú. Literalmente o Curtura começou a fazer
escola, uma Escola de Teatro por onde passaram cerca de 700 alunos e que comemora
também em 2023, trinta anos de sua origem.
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Diário de um Louco - 2006 |
No ano de 2005, as equipes
criativa e técnica do Grupo Curtura de Teatro criaram a Associação Cultural
Quintal das Artes e assinaram o primeiro convênio da nova ONG com o setor
público, também um projeto pioneiro e de resultados comprovados e atestados por
secretarias e ministérios e que transformou o setor cultural de Tambaú, na
época, em exemplo mais uma vez.
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| Nosferatu - 2008 |
O Grupo Curtura então, objeto
desta comemoração e homenagem, começou a ter suas montagens produzidas pela
Quintal das Artes com “INRI IV – Pietá”, no mesmo ano de criação da ONG. O nome
do Curtura ainda foram produzidos “O Diário de um Louco” – a peça teatral mais
premiada da nossa história com 12 troféus e outras 11 indicações em diversos
festivais, “Nosferatu” – igualmente muito premiada, “Sexo dos Anjos” e
“Donizetti, Pe” – o maior público da história do teatro tambauense e a última
montagem a levar o nome do grupo em seu cartaz.
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| Rei Lear - 1998 |
Duas montagens do Curtura fizeram
temporadas regulares em São Paulo, no Espaço dos Satyros, na Praça Roosevelt –
um dos redutos do teatro paulistano: “Diário de um Louco” e “Nosferatu”. A adaptação
de Paulo Rocco para “A Gaiola das Loucas” também foi encenada por um grupo
paulistano.
Depois, apesar da equipe técnica
principal continuar sendo a mesma – formada por Paulo Rogério Rocco (Direção,
Produção e Dramaturgia), José Eli Costa (Figurinos), Júlio Somera (Maquiagem),
Mauri Rocco (Cenários e Objetos Cênicos) e Antonio Cordeiro Rosa Neto
(Compositor), as montagens começaram a ter somente a assinatura da Quintal das
Artes, tanto nas peças com o grupo adulto quanto nas montagens feitas
exclusivamente pelos alunos da Escola de Teatro.
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Uma Serpente no Seio de Roma - 2000 |
Entre as centenas de atores e
atrizes que estrearam no elenco das montagens do Curtura, da Escola e da
Quintal, muitos seguiram carreira profissional nas Artes Cênicas e hoje
trabalham exclusivamente nos palcos, como José Ono Júnior – que se tornou ator
profissional em São Paulo e é também Diretor e Professor de Teatro em Tambaú;
André Casaca – hoje diretor do Teatro C'art Castelfiorentino, na Itália;
Gabriel Galhardo – Ator e Professor de Teatro em Ribeirão Preto e Lia Ricciardi
– Atriz profissional em São Paulo; entre vários outros.
Mas é claro que inúmeros talentos
passaram e passam pelas produções; atores e atrizes de todas as idades, de
várias profissões e que trabalham ou não na área artística, mas reconhecem a
importância do teatro em suas vidas e tem pelo palco, o mesmo amor daqueles
primeiros jovens que subiram no tablado montado no Salão Nobre da escola Padre
Donizetti, na semana do Dia das Mães de 1983.
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| Donizetti, Pe. - 2011 |
Segundo o Diretor Paulo Rogério
Rocco, criador do Grupo Curtura, o teatro tambauense só tem a agradecer ao
público dessa cidade e de toda a região que sempre prestigiou as montagens,
sempre lotando as plateias.
E se há algo para lamentar é que
há 40 anos nenhum espaço físico adequado, uma sala de teatro propriamente dita,
foi construída na cidade de Tambaú para receber, como se deveria, tantos
talentos que construíram essa trajetória.
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A Gaiola das Loucas - 2003 |
Claro que os desdobramentos do
Grupo Curtura de Teatro, da Escola Municipal e da Associação Cultural Quintal
das Artes dariam, para cada um dos segmentos, páginas e páginas de reportagens;
seja com suas históricas montagens (são mais de 80 no total), seja com recentes sucessos como “O Anjo
do Bosque da Solidão” – que esteve em temporada no consagrado Teatro Itália e na Casa Aguinaldo Silva de Artes em São Paulo – e “Os
Cegos”, montada durante a pandemia e que foi apresentada e premiada em
festivais como o importante “Satyrianas”.
Para comemorar seus 40 anos o
Grupo Curtura irá estrear em breve mais um espetáculo que irá divertir e
emocionar o público que acompanhou a história desta companhia durante quatro
décadas.
Nossos aplausos a todos que
passaram pelo Grupo Curtura de Teatro e pelos 40 anos de um trabalho impecável
de profissionalismo, dedicação, talento e amor às Artes Cênicas.
A história do Curtura e de todas
as peças está sendo contada no blog https://grupocurturadeteatro.blogspot.com
criado também em comemoração aos 40 anos.