Francisco é fruto de uma
emergente classe mercantil, nascido de mãe francesa - Joana Pica de Bourlemont
e Pietro Di Bernardone, um bem-sucedido comerciante de tecidos de Assis. Pietro
amontoara uma considerável fortuna importando cortes de seda, veludo e damasco
da França, confeccionando trajes sofisticados em sua oficina de costura e
vendendo-os tanto à nobreza, quanto à rica burguesia de Assis.
A História mais provável é que
Francisco nasceu em um momento em que seu pai estava ausente, e a mãe lhe deu o
nome de Giovanni Di Pietro Di Bernardone.
Ao voltar de sua visita à França,
entusiasmado pelo gosto e costumes franceses, e pelo sucesso comercial que ali
tivera, o pai resolveu dar ao filho um novo nome, que significava “Franco” de
“Francês” - deu-lhe por isso o nome de “Francesco” (Francisco).
Francisco, segundo afirmam todos
os relatos, era um jovem mimado e “sem-regras” tendo uma juventude irrequieta e
mundana, sem duvida uma verdadeira “figura” em Assis.
Membro de uma família rica,
sempre carregava uma bolsa recheada de moedas, bem como roupas luxuosas.
Segundo “A Lenda dos Três Companheiros” de Tomás de Celano – que terminou sua
biografia em 1229, apenas três anos depois da morte de Francisco: “Desnecessário
dizer que não resta nenhum vestígio da “juventude transviada” de Francisco na
Assis atual senão as próprias ruas, pelas quais perambulava com os amigos noite
adentro. Não era apenas mais um na turma, era o líder, admirado por todos e procurava superar os
demais na pompa da vanglória, nas piadas, nos feitos bizarros, nas conversas
frívolas, nas cantorias, na maneira elegante de se vestir”.
Francisco foi rudimentarmente
alfabetizado em latim na Igreja de San Giorgio, sobre a qual foi construída a
Basílica de Santa Clara, a poucas ruas de distâncias da casa dos Bernardone.
Francisco não era impecável no latim; todavia era perfeitamente fluente em
francês, língua universal do comercio da época. Todos os biógrafos tecem
elogios à sua voz: “Forte, doce, límpida e sonora”.
Cresceu numa época de conflitos
cívicos e confrontos sanguinários entre famílias e cidades rivais, camponeses e
nobres, e sobretudo Igreja e Estado. O Estado não era a Itália dos nossos dias,
mas o Sacro Império Romano-Germânico. Assis havia sido capturada pelo Imperador
Francisco Barba-Roxa em 1160, vinte anos antes do nascimento de Francisco e
desde então o povo vinha sendo castigado pelo jugo imperial.
Francisco tinha dezessete anos
quando, em 1198, eclodiu novo levante e é certa a participação dele e de seus
amigos à guarnição germânica. Trata-se de um terrível episódio na história de
Assis. Os germânicos foram chacinados, e a fortaleza jogada ao chão, pedra por
pedra. Em seguida a burguesia de Assis voltou sua fúria contra a nobreza.
Nos dois anos de conflito que se
seguiram, muitos nobres foram massacrados e tiveram suas propriedades
saqueadas. Quanto aos novos ricos, entre eles Pietro di Bernardone, comprava
quanto pode das terras abandonadas pela nobreza.
Em 1202, três anos depois de
Assis levantar armas contra o feudalismo e o império (seus habitantes correndo
o risco de excomunhão pelo papa Inocêncio III por não terem submetido à cidade
à proteção papal), Peruggia declararia guerra a Assis. A essa altura Francisco
já estava com vinte e um anos e, com os amigos, preparava-se para a gloriosa
vitória que infringiram a Peruggia, embalados pelos ideais de heroísmo e
bravura cantados pelos trovadores e menestréis.
Um dos biógrafos modernos de
Francisco, Juliem Green, imaginava a cena “A praça da Catedral regurgitava com
os representantes de cada parte da cidade, estandartes em punho, que liderariam
a coluna. Atrás deles viria a infantaria, armada com espadas, lanças e bestas;
em seguida, homens a cavalo em torno de uma carroça puxada por bois, transportando
a bandeira de Assis e carregando um altar móvel, com crucifixo, velas e padres
entoando orações. Francisco, embora não fosse aristocrata, juntou-se às
fileiras da nobreza somente por que era rico o bastante para comprar um cavalo.
Por certo usava magníficos trajes de guerra, corroborando os comentários de
seus primeiros biógrafos de que se vestia melhor do que “convinha” à sua
posição social. Embalado pelas fanfarras, esperava em breve ver realizadas suas
fantasias de gloria e heroísmo bélico. Em vão.
Exauridos pela viagem, os
guerreiros de Assis não tinham como fazer face às vingativas forças de
Peruggia. Os comunheiros de Assis, foram rapidamente subjulgados. Perseguidos
pelos perugianos, buscaram refugio nos bosques do vale, mas foram quase todos
chacinados.
Francisco salvou-se por obra de
sua própria arrogância. Confundido com um nobre em razão dos trajes que vestia,
dos modos sofisticados e sobretudo do cavalo, significaria dinheiro, um bom
resgate.
O Francisco que voltou a Assis
aos vinte e dois anos de idade não foi o mesmo jovem que cavalgou alegremente
um ano antes. Encontrava-se doente, muito doente. Ficou acamado por
aproximadamente um ano. Quando por fim recuperou a saúde, era um homem mudado.
Permaneceu fraco pelo resto da vida e precisaria de constantes cuidados.
Em 1205, à época com vinte e
quatro anos, Francisco tenta mais uma vez ser um cavaleiro, posição que
requeria muito dinheiro. Tentou, mas não teve êxito.
Converteu-se depois de ter ouvido
um chamado de uma imagem de Jesus Cristo- “Francisco, restaura a minha casa
decadente”. Vendeu artigos da loja de seu pai para restaurar a pequena e
semi-arruinada igreja do sec. XII. San Damiano.
Como resultado foi deserdado.
Decidiu, então, dedicar-se à “irmã pobreza”. Seu desapego foi tamanho, que
Francisco ficou nu diante de toda Assis, p-ara deixar tudo o que tinha para
trás.
Tornou-se pedinte, acolheu os
leprosos, os pobres, enfermos de toda parte. Passou a chamar tudo, como
animais, pessoas e a natureza, por irmã ou irmão.
Queria traduzir as crenças que
guiavam suas decisões, como simplicidade e Humildade. Recusava qualquer tipo de
recompensa, ajuda financeira ou ordenações eclesiásticas e nestas regras nasceu
em 1210 a ordem religiosa, já com um grande numero de discípulos.
Francisco morreu em 1226 e dois
anos depois foi canonizado como São Francisco e é hoje o Pai Espiritual da
Itália, O Patrono da Natureza e dos Animais.
Exposição de Imagens de São Francisco de Assis
De 13 a 18 de Maio no Museu Histórico Ernesto Ricciardi