sábado, 11 de maio de 2013

Francisco de Assis


Francisco é fruto de uma emergente classe mercantil, nascido de mãe francesa - Joana Pica de Bourlemont e Pietro Di Bernardone, um bem-sucedido comerciante de tecidos de Assis. Pietro amontoara uma considerável fortuna importando cortes de seda, veludo e damasco da França, confeccionando trajes sofisticados em sua oficina de costura e vendendo-os tanto à nobreza, quanto à rica burguesia de Assis.

A História mais provável é que Francisco nasceu em um momento em que seu pai estava ausente, e a mãe lhe deu o nome de Giovanni Di Pietro Di Bernardone.

Ao voltar de sua visita à França, entusiasmado pelo gosto e costumes franceses, e pelo sucesso comercial que ali tivera, o pai resolveu dar ao filho um novo nome, que significava “Franco” de “Francês” - deu-lhe por isso o nome de “Francesco” (Francisco).

Francisco, segundo afirmam todos os relatos, era um jovem mimado e “sem-regras” tendo uma juventude irrequieta e mundana, sem duvida uma verdadeira “figura” em Assis.

Membro de uma família rica, sempre carregava uma bolsa recheada de moedas, bem como roupas luxuosas. Segundo “A Lenda dos Três Companheiros” de Tomás de Celano – que terminou sua biografia em 1229, apenas três anos depois da morte de Francisco: “Desnecessário dizer que não resta nenhum vestígio da “juventude transviada” de Francisco na Assis atual senão as próprias ruas, pelas quais perambulava com os amigos noite adentro. Não era apenas mais um na turma, era o líder,  admirado por todos e procurava superar os demais na pompa da vanglória, nas piadas, nos feitos bizarros, nas conversas frívolas, nas cantorias, na maneira elegante de se vestir”.

Francisco foi rudimentarmente alfabetizado em latim na Igreja de San Giorgio, sobre a qual foi construída a Basílica de Santa Clara, a poucas ruas de distâncias da casa dos Bernardone. Francisco não era impecável no latim; todavia era perfeitamente fluente em francês, língua universal do comercio da época. Todos os biógrafos tecem elogios à sua voz: “Forte, doce, límpida e sonora”.

Cresceu numa época de conflitos cívicos e confrontos sanguinários entre famílias e cidades rivais, camponeses e nobres, e sobretudo Igreja e Estado. O Estado não era a Itália dos nossos dias, mas o Sacro Império Romano-Germânico. Assis havia sido capturada pelo Imperador Francisco Barba-Roxa em 1160, vinte anos antes do nascimento de Francisco e desde então o povo vinha sendo castigado pelo jugo imperial.

Francisco tinha dezessete anos quando, em 1198, eclodiu novo levante e é certa a participação dele e de seus amigos à guarnição germânica. Trata-se de um terrível episódio na história de Assis. Os germânicos foram chacinados, e a fortaleza jogada ao chão, pedra por pedra. Em seguida a burguesia de Assis voltou sua fúria contra a nobreza.

Nos dois anos de conflito que se seguiram, muitos nobres foram massacrados e tiveram suas propriedades saqueadas. Quanto aos novos ricos, entre eles Pietro di Bernardone, comprava quanto pode das terras abandonadas pela nobreza.

Em 1202, três anos depois de Assis levantar armas contra o feudalismo e o império (seus habitantes correndo o risco de excomunhão pelo papa Inocêncio III por não terem submetido à cidade à proteção papal), Peruggia declararia guerra a Assis. A essa altura Francisco já estava com vinte e um anos e, com os amigos, preparava-se para a gloriosa vitória que infringiram a Peruggia, embalados pelos ideais de heroísmo e bravura cantados pelos trovadores e menestréis.

Um dos biógrafos modernos de Francisco, Juliem Green, imaginava a cena “A praça da Catedral regurgitava com os representantes de cada parte da cidade, estandartes em punho, que liderariam a coluna. Atrás deles viria a infantaria, armada com espadas, lanças e bestas; em seguida, homens a cavalo em torno de uma carroça puxada por bois, transportando a bandeira de Assis e carregando um altar móvel, com crucifixo, velas e padres entoando orações. Francisco, embora não fosse aristocrata, juntou-se às fileiras da nobreza somente por que era rico o bastante para comprar um cavalo. Por certo usava magníficos trajes de guerra, corroborando os comentários de seus primeiros biógrafos de que se vestia melhor do que “convinha” à sua posição social. Embalado pelas fanfarras, esperava em breve ver realizadas suas fantasias de gloria e heroísmo bélico. Em vão.

Exauridos pela viagem, os guerreiros de Assis não tinham como fazer face às vingativas forças de Peruggia. Os comunheiros de Assis, foram rapidamente subjulgados. Perseguidos pelos perugianos, buscaram refugio nos bosques do vale, mas foram quase todos chacinados.

Francisco salvou-se por obra de sua própria arrogância. Confundido com um nobre em razão dos trajes que vestia, dos modos sofisticados e sobretudo do cavalo, significaria dinheiro, um bom resgate.

O Francisco que voltou a Assis aos vinte e dois anos de idade não foi o mesmo jovem que cavalgou alegremente um ano antes. Encontrava-se doente, muito doente. Ficou acamado por aproximadamente um ano. Quando por fim recuperou a saúde, era um homem mudado. Permaneceu fraco pelo resto da vida e precisaria de constantes cuidados.

Em 1205, à época com vinte e quatro anos, Francisco tenta mais uma vez ser um cavaleiro, posição que requeria muito dinheiro. Tentou, mas não teve êxito.

Converteu-se depois de ter ouvido um chamado de uma imagem de Jesus Cristo- “Francisco, restaura a minha casa decadente”. Vendeu artigos da loja de seu pai para restaurar a pequena e semi-arruinada igreja do sec. XII. San Damiano.

Como resultado foi deserdado. Decidiu, então, dedicar-se à “irmã pobreza”. Seu desapego foi tamanho, que Francisco ficou nu diante de toda Assis, p-ara deixar tudo o que tinha para trás.
Tornou-se pedinte, acolheu os leprosos, os pobres, enfermos de toda parte. Passou a chamar tudo, como animais, pessoas e a natureza, por irmã ou irmão.

Queria traduzir as crenças que guiavam suas decisões, como simplicidade e Humildade. Recusava qualquer tipo de recompensa, ajuda financeira ou ordenações eclesiásticas e nestas regras nasceu em 1210 a ordem religiosa, já com um grande numero de discípulos.

Francisco morreu em 1226 e dois anos depois foi canonizado como São Francisco e é hoje o Pai Espiritual da Itália, O Patrono da Natureza e dos Animais.



Exposição de Imagens de São Francisco de Assis

De 13 a 18 de Maio no Museu Histórico Ernesto Ricciardi

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