quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Nossa História – Parte 3 – O Museu Histórico

O Museu Histórico

No mês de agosto de 2011, durante as comemorações de aniversário de Tambaú, a Quintal das Artes inaugurou, juntamente com a Prefeitura Municipal, o novo Museu Histórico da cidade. A Associação Cultural foi uma das responsáveis pela restauração do imóvel e recuperação do acervo.

Um pouco de História cronológica deste Patrimônio de Tambaú:

25 de Junho de 1985 – A lei nº 1066 assinada pelo Prefeito Dirceu Cerquetani cria o Museu Histórico de Tambaú, elaborado pelo historiador José Eli Costa, então Secretário de Cultura. Instalado no porão da casa que pertenceu ao ex-prefeito José Gatto, nos anos seguintes foi abandonado devido ao descaso de alguns e à indiferença geral, salvo honrosas exceções.

22 de Março de 2005 – Antonio Agassi, três meses após assumir a prefeitura, decreta a suspensão temporária das atividades do museu pelas péssimas condições do local, a deterioração quase total do acervo e o início das buscas de recursos para sua recuperação.

Luiz Dias recupera as pinturas
15 de Maio de 2007 – Com o setor de Educação indo pra sede da APA, o então vereador Paulo Rocco solicita, através da Indicação nº 91/2007, que o imóvel em questão fique sob responsabilidade do Setor de Cultura para permanente instalação do museu.

Julho de 2008 – O mesmo vereador elabora um projeto de lei transferindo o nome de Zélia Maria de Carvalho Biela – após anuência dos filhos da homenageada – para o recém-inaugurado Centro de Convenções da APA, local mais apropriado para receber o nome da Educadora. No mês seguinte outro projeto de lei da mesma autoria denomina “Casa de Cultura e Museu Histórico Ernesto Ricciardi” o prédio da Praça Carlos Gomes.

13 de Agosto de 2008 – A Coordenadora Municipal de Educação e Presidente do Conselho de Educação, Waldinea Borges Dias, encaminha a documentação de transferência do imóvel da praça Carlos Gomes ao Departamento de Cultura.

Março de 2009 – O Prefeito Municipal e integrantes da Associação Cultural Quintal das Artes têm uma audiência na Secretaria de Estado da Cultura com o então Secretário João Sayad, levando pessoalmente o pedido de restauração do Museu.

02 de Maio de 2009 – Através do decreto nº 1920, Antonio Agassi efetua o tombamento do imóvel. A solicitação tambémhavia sido feita pelo vereador Paulo Rocco no legislativo, sendo acatada e aprovada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural do município, ativo naquela época.

28 de Dezembro de 2009 – O pedido estadual é atendido e o convênio para restauração do museu foi assinado.

Maio de 2010 – A prefeitura, em um empreendimento pioneiro e que hoje serve de exemplo em todas as cidades da região, terceiriza para a Associação Cultural Quintal das Artes a gestão do Museu Histórico.

Inauguração do Museu
Agosto de 2011 – No dia 17 é inaugurado, pelo prefeito Antônio Agassi, o Museu Histórico “Ernesto Ricciardi”, com apoio da Cerâmica Atlas e sob gestão da Associação Cultural; após uma minuciosa restauração que teve início com a descoberta das pinturas originais das salas pelo historiador da Quintal das Artes.

Durante sua gestão como administradora do Museu, a Associação Cultural participou das edições da Semana Nacional de Museus, promovidas pelo IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, com a elaboração de uma programação local que incluiu shows musicais, exibição de filmes e exposições de artistas conceituados.

A Quintal das Artes restaurou e conservou adequadamente todas as peças do acervo histórico – tanto aquelas que pertenciam à municipalidade quanto as que eram de responsabilidade da Associação; sempre dentro dos parâmetros propostos pelo IBRAM e com os trabalhos coordenados por um responsável técnico, Historiador e Especialista em Museologia.

A Quintal executou desde a recuperação total do acervo (quadros, documentos, objetos, móveis, entre outros) até a pintura externa, o término das instalações elétricas, a recuperação do piso de madeira, a confecção e aquisição de novos móveis, a colocação de pisos cerâmicos nos jardins e calçadas, a colocação de grades de proteção, instalação de cortinas, restauração dos lustres originais e os trabalhos de paisagismo e jardinagem.

Sala da Imigração
O imóvel, que é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural do município, teve sua pintura interna restaurada pelo artista tambauense Luiz Antonio Dias, reproduzindo fielmente os afrescos originais, datados do início do século passado.

A recuperação desses afrescos foi possível através do convênio assinado com a Secretaria de Estado da Cultura, que também ofereceu a nova iluminação das salas com lâmpadas adequadas e o sistema de segurança por câmeras.

A Cerâmica Atlas, através do seu Presidente Geraldo José Aloise Ricciardi, doou ao Museu uma plataforma elevatória para Pessoas com Necessidades Especiais.

O Museu Histórico era composto por oito salas temáticas, contando a história do município desde suas origens; apresentando suas características econômicas, fatos políticos e administrativos e personagens; dos imigrantes que formaram a cidade até personalidades como o Padre Donizetti Tavares de Lima.

Obras de Ernesto Ricciardi
O patrono do Museu, Ernesto Ricciardi, um dos maiores artistas locais, tinha um espaço próprio, abrigando suas criações, como os quadros “Agricultura” e “Indústria”, as obras mais importantes do município. Essas pinturas foram restauradas pelo artista Luiz Dias e as molduras, igualmente criações de Ricciardi, recuperadas por Mauri Rocco. Um Brasão Municipal, confeccionado por Ricciardi em latão, também compunha o espaço.

Sebas Sundfedl e Otávio Barbin, autores do Hino, Bandeira e Brasão do Município, também foram homenageados nessa sala de personalidades.

Entre os objetos mais curiosos do Museu estão a pia batismal da Igreja São José, a réplica exata da cadeira onde faleceu Padre Donizetti e um criado-mudo que pertenceu ao Capitão David de Almeida Santos.

Todo o imóvel, bem como seu acervo histórico e arredores, são tombados pelo Patrimônio Histórico, sendo necessário, por lei, autorização expressa do Conselho específico para a realização de obras físicas, retiradas e/ou relocação do acervo; o que garante a preservação da história do município. O acervo está listado em Livro Tombo. 

Na sala com a história política a montagem original abrigava documentos da emancipação político-administrativa do município e objetos da primeira câmara municipal, como livros, a campainha usada pelo presidente do legislativo, o relógio de parede e um oratório do século passado com a imagem de Cristo.

Galeria dos Prefeitos

Um computador com a história do Município, descrição dos objetos do acervo e informações aos visitantes foi instalado pela Quintal das Artes e sempre esteve disponível para consulta. Foi elaborado também um site que ficava disponível na internet desde a inauguração.

Excursões de alunos das redes municipal, estadual e particular de ensino eram realizadas periodicamente, tanto para visita ao acervo, como para os alunos conhecerem as dezenas de exposições – de consagrados artistas – realizadas nas dependências do museu.

Visita de alunos 

Uma exposição tradicional era do Presépio Mecânico nos fundos do prédio, na época do Natal. Com a obra instalada, o museu permanecia aberto no período noturno e atraía milhares de visitantes todos os anos, aquecendo o comércio local, através do projeto de economia criativa.

A Quintal também encomendou um projeto de ampliação, elaborado por Edson Fernando Celestino, engenheiro e ex-prefeito, que previa a construção de novas salas, área de convivência, salas de ensaio para banda, sala de laboratórios de teatro e local para o projeto Guri; além da troca do telhado. Com o final do convênio e Associação não pôde realizar esta etapa, deixando, no entanto, tudo idealizado.

No dia 30 de novembro de 2016, ao final do convênio, a Associação Cultural Quintal das Artes entregou as chaves do Museu Histórico Ernesto Ricciardi para a municipalidade.

Em 27 de abril de 2017, o acervo particular que estava cedido em comodato para a Quintal das Artes foi doado ao Museu Histórico. Um decreto do então Prefeito Roni Astorfo autoriza o município a receber os bens listados e o parágrafo único do Artigo 1º deixava claro que a finalidade da doação era para exposição permanente no Museu.

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